Você está usando minoxidil via oral para queda de cabelos? Conhece os riscos?
- Dr. Olivério Carvalho

- 17 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 6 dias

Você foi informado/a sobre os possíveis riscos cardiovasculares que podem ocorrer a curto, médio e longo prazo?
Nos últimos anos, especialmente após 2020, ocorreu um aumento significativo do uso de minoxidil por via oral para alopécia androgenética (calvície), tanto masculina como feminina. Alguns jovens também tem usado o medicamento, para supostamente, fazer crescer a barba. Muita gente também vem usando indiscriminadamente, para qualquer tipo de queda de cabelos.
O problema é que muitas pessoas passaram a utilizar um potente vasodilatador sistêmico, para uma finalidade predominantemente estética, frequentemente sem compreender completamente os riscos envolvidos.
O minoxidil NÃO foi criado originalmente para tratar calvície.
Ele foi desenvolvido como medicamento para hipertensão arterial grave, na década de 70.
Seu efeito de crescimento de pelos acabou levando posteriormente ao desenvolvimento da formulação tópica capilar, que foi estudada, padronizada e aprovada formalmente para alopécia androgenética (calvície), somente em 1988 para homens, e em 1991 para mulheres.
E aqui surgem duas perguntas interessantes:
se o minoxidil oral fosse uma solução claramente segura, amplamente aceita e muito superior para a perda de cabelos, que o uso do produto tópico, por que isso nunca se consolidou formalmente em aproximadamente meio século de existência do medicamento ?
Por que nenhum laboratório médico, como aqueles que produzem o produto tópico para a alopécia androgenética, nunca o fabricou na versão por via oral ?
A própria história do desenvolvimento do medicamento parece sugerir algo importante.
A indústria identificou o efeito capilar há décadas.
Mesmo assim, a escolha foi:
- desenvolver formulação tópica;
- estudar o uso local;
- minimizar os riscos sistêmicos;
- e evitar transformar o comprimido vasodilatador, criado para hipertensão arterial grave, em tratamento estético amplamente difundido.
Esse dado histórico merece reflexão.
E ainda existe outro detalhe extremamente importante:
até hoje NÃO existe dose oral oficialmente consolidada e amplamente aprovada para alopecia androgenética (calvície) ou perda de cabelos.
O termo “low-dose ou baixa dose oral de minoxidil” se tornou extremamente popular.
Mas afinal: o que exatamente seria esta “baixa dose”?
Para alguns seria:
0,25 mg?
Para outros 1 mg
Ou 2,5 mg?
E até 5 mg
Não existe uma padronização universal amplamente reconhecida.
O minoxidil para queda de cabelos não possui bula aprovada pelas agências reguladoras (como a Anvisa no Brasil ou o FDA nos EUA) para fins estéticos ou capilares, a forma de obtê-lo é apenas através de farmácias de manipulação.
Até onde existe registro regulatório público relevante atualmente, não há aprovação ampla e consolidada de minoxidil oral, especificamente para alopecia androgenética (calvície).
Mesmo assim, vemos crescimento acelerado de prescrições manipuladas. O uso ainda é impulsionado por redes sociais, marketing médico e pela cultura estética atual.
No Brasil, desde setembro de 2022, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça que o uso oral do minoxidil não deve ser feito por automedicação.
O uso indiscriminado pode apresentar riscos importantes para pessoas suscetíveis, incluindo:
- queda da pressão arterial;
- tonturas;
- desmaios;
- palpitações;
- e alterações da frequência cardíaca.
A própria SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) destaca que o minoxidil oral pode ser indicado apenas em pacientes selecionados, mediante indicação médica criteriosa.*
Dependendo do caso, avaliação clínica e até cardiológica pode ser necessária previamente ao tratamento.
Também cabe ao médico dermatologista:
* indicar;
* prescrever;
* orientar;
* e acompanhar adequadamente o paciente durante o uso da medicação.
Uma questão fundamental:
parece proporcional expor indivíduos saudáveis a riscos cardiovasculares sistêmicos, potencialmente cumulativos, ou até interação com outros medicamentos que o paciente já usa, apenas para obter benefício predominantemente estético, especialmente quando o minoxidil tópico 5% apresenta resultados, frequentemente semelhantes ?
Estudo randomizado publicado no JAMA Dermatology mostrou que 5 mg/dia de minoxidil oral NÃO demonstrou superioridade global significativa ao minoxidil tópico 5% após 24 semanas.
Referência: Pirmez R et al. Oral Minoxidil vs Topical Minoxidil for Male Androgenetic Alopecia. JAMA Dermatology. 2024.
Isso tudo merece reflexão séria.
Em Medicina, especialmente quando tratamos indivíduos saudáveis, prudência não deveria ser vista como resistência ou conservadorismo.
Nem toda novidade representa evolução real, especialmente sem base científica sólida e consolidada por amplos estudos de longo prazo, avaliando suas eventuais consequências.
E nem toda novidade terapêutica possui evidência científica proporcional ao entusiasmo comercial que o acompanha.
Por fim, a SBD ainda ressalta que a dermatologia é especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Comissão Mista de Especialidades, vinculada ao Ministério da Educação, como habilitada e capacitada para orientar pacientes em ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas à pele, cabelos e unhas.
Conteúdo educativo produzido pelo Dr. Olivério Carvalho, dermatologista em São Paulo com longa experiência em câncer de pele, cirurgia dermatológica e criocirurgia, com foco no diagnóstico preciso, biópsias de pele e definição individualizada do tratamento mais adequado para cada caso, incluindo pacientes idosos, casos complexos e segunda opinião médica.




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