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Clínica Dr. Olivério  Carvalho 

Dermatologista -  CRM 59971 - RQE 108382

Carcinoma basocelular (CBC): sintomas, diagnóstico, tratamentos, prognóstico, prevenção e chances de cura

Guia completo sobre carcinoma basocelular (CBC) para pacientes e familiares



O carcinoma basocelular, conhecido pela sigla CBC, é o tipo mais frequente de câncer de pele. Apesar de apresentar, na grande maioria das vezes, crescimento lento e excelentes chances de cura, não deve ser simplesmente ignorado: quando permanece sem tratamento durante muito tempo, pode crescer progressivamente e destruir estruturas importantes ao seu redor.


Este guia explica de forma clara, abrangente e baseada em evidências o que é o carcinoma basocelular, como ele se desenvolve, quais fatores aumentam o risco, quais são suas principais formas de apresentação clínica e os sinais que devem levar à avaliação dermatológica. Também aborda como o diagnóstico é realizado, da biópsia e do exame anatomopatológico, os principais subtipos do tumor, os fatores que determinam maior ou menor risco de recorrência e as diferentes opções de tratamento disponíveis — desde procedimentos ambulatoriais até técnicas mais complexas e terapias sistêmicas para situações excepcionais.


Ao longo do texto, discutimos ainda as chances de cura, o risco de recorrência, os fatores que influenciam o prognóstico, a importância do diagnóstico precoce, o acompanhamento após o tratamento e as principais medidas de prevenção, além de esclarecer dúvidas frequentes, mitos e conceitos que podem ajudar pacientes e familiares a compreender melhor a doença e participar de forma mais consciente das decisões sobre o tratamento.

 

1) Introdução



O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente. No Brasil, o câncer de pele não melanoma corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, e o CBC é o tipo mais comum dentro desse grupo.

 

Na maioria das vezes, apresenta-se como uma pequena lesão na pele que cresce lentamente. Pode parecer uma “espinha” que nunca desaparece, uma pequena ferida que cicatriza e volta a abrir, um nódulo brilhante, uma mancha avermelhada ou até uma área semelhante a uma cicatriz.


Como habitualmente não provoca dor e pode permanecer pouco sintomática, muitos pacientes convivem durante meses ou anos com a lesão antes de procurar atendimento.

 

A boa notícia é que o carcinoma basocelular apresenta excelentes chances de cura, principalmente quando diagnosticado e tratado precocemente. Raramente produz metástases, mas pode ser localmente invasivo e causar destruição considerável quando negligenciado.

 

Existem várias alternativas de tratamento.

A cirurgia convencional permanece uma das principais modalidades e o tratamento cirúrgico é considerado a base terapêutica na maioria dos CBCs operáveis. Entretanto, a criocirurgia, a cirurgia micrográfica de Mohs, curetagem seguida de eletrocoagulação, medicamentos tópicos, terapia fotodinâmica, radioterapia e tratamentos sistêmicos também possuem indicações específicas. Tratamentos combinados também podem ser indicados.

 

Isso significa que não existe uma única técnica melhor ou mais apropriada para todos os pacientes.

 

A escolha deve considerar:

 

tamanho do tumor;

localização;

subtipo histológico;

profundidade;

limites clínicos;

se o tumor é primário ou recorrente;

idade;

condições gerais de saúde;

estado imunológico;

resultado funcional e estético esperado;

experiência do profissional responsável.

 

O objetivo deste guia é permitir que pacientes e familiares compreendam essas diferenças e participem de maneira mais consciente das decisões relacionadas ao tratamento.


 

Infográfico sobre carcinoma basocelular com informações sobre sintomas, diagnóstico, tratamentos, chances de cura, prevenção e relação com a exposição solar.
Figura 1. Resumo das principais informações sobre o carcinoma basocelular (CBC), incluindo frequência, formas de apresentação, relação com a exposição solar, diagnóstico, opções de tratamento, prognóstico e prevenção.

 

2) O que é o carcinoma basocelular (CBC)?


 O carcinoma basocelular é um tumor maligno da pele constituído por células de linhagem basal. Seu desenvolvimento está fortemente relacionado à exposição à radiação ultravioleta e a alterações moleculares.

Ele se desenvolve predominantemente em áreas que receberam radiação solar durante muitos anos, especialmente:

 

nariz;

testa;

pálpebras;

bochechas;

orelhas; pescoço;

ombros;

tronco

e couro cabeludo, especialmente em pessoas com poucos cabelos.

 

Entretanto, pode aparecer praticamente em qualquer região da pele.

 

Como o carcinoma basocelular se desenvolve?


Infográfico mostrando como o carcinoma basocelular se desenvolve, desde o dano solar acumulado e alterações no DNA até a formação do tumor e o diagnóstico precoce.
Figura 2. Como o carcinoma basocelular (CBC) pode se desenvolver a partir do acúmulo progressivo de danos ao DNA e alterações moleculares relacionadas à exposição à radiação ultravioleta.

Ao longo da vida, a radiação ultravioleta pode provocar alterações progressivas no DNA das células da pele. Grande parte desses danos é reparada pelo próprio organismo. Porém, algumas alterações permanecem. Com o passar dos anos, novas mutações podem se acumular até que determinadas células percam o controle normal de crescimento e passem a formar um tumor.

 

O processo geralmente acontece lentamente. Ao contrário do carcinoma espinocelular, o CBC não costuma se desenvolver a partir de uma ceratose actínica. A ceratose actínica é principalmente uma lesão precursora relacionada ao carcinoma espinocelular.

 

O carcinoma basocelular é agressivo?

 

Na maioria das vezes, não no sentido de produzir metástases ou risco de vida. O comportamento típico é de crescimento local lento e progressivo. Porém, “crescimento lento” não significa que possa ser ignorado. Um tumor deixado sem tratamento pode penetrar progressivamente em:

 

cartilagem; músculos; nervos; ossos; estruturas ao redor dos olhos; nariz; orelhas.

 

Por esse motivo, tumores aparentemente pequenos localizados em regiões anatômicas delicadas podem exigir tratamento cuidadoso e rápido.

 

O carcinoma basocelular é contagioso?

 

Não é transmitido por contato físico, sangue, objetos, convivência ou qualquer outra forma de contágio.

 

3) Quais são os fatores de risco para carcinoma basocelular?

A radiação ultravioleta é o principal fator ambiental relacionado ao CBC.

 

O risco é determinado pela combinação entre a exposição solar ao longo da vida e as características individuais da pessoa, inclusive sua propensão genética e falta de proteção adequada.


Infográfico sobre os principais fatores de risco para carcinoma basocelular, como exposição solar acumulada, pele clara, idade, imunossupressão e histórico de câncer de pele.
Figura 3. Principais fatores associados ao aumento do risco de carcinoma basocelular        (CBC), incluindo exposição solar acumulada, pele clara, idade, histórico prévio de câncer de pele, imunossupressão e outras condições específicas.

 

Exposição solar

 

Pessoas que tiveram exposição frequente ao Sol durante muitos anos apresentam maior risco.

Também parecem importantes episódios repetidos de exposição intensa, principalmente em pessoas de pele clara. Por isso, atividades profissionais, esportivas ou recreativas realizadas regularmente ao ar livre devem ser acompanhadas de fotoproteção adequada.

 

Bronzeamento artificial


No Brasil, câmaras de bronzeamento artificial com emissão de radiação ultravioleta para fins estéticos são proibidas pela Anvisa desde 2009. Apesar disso, ainda há utilização irregular desses equipamentos e disputas judiciais pontuais.


Pele clara

 

O risco é maior em pessoas com:

 

pele clara; olhos claros; cabelos claros ou ruivos; tendência a queimar em vez de bronzear; sardas; sinais evidentes de dano solar.


carcinomas basocelulares na região frontal
carcinomas basocelulares na região frontal

Entretanto, pessoas com pele negra ou mais escura também podem desenvolver CBC, porém, com risco bem menor.


Carcinoma basocelular no nariz em pele negra, na sua variante pigmentada (raro)
Carcinoma basocelular no nariz em pele negra, na sua variante pigmentada (raro)

Idade

 

O carcinoma basocelular torna-se progressivamente mais frequente com o envelhecimento.

Isso ocorre principalmente porque os danos provocados pela radiação ultravioleta se acumulam durante décadas. Mesmo assim, CBCs podem ocorrer em pacientes mais jovens. Pessoalmente já tratei um caso num rapaz de apenas 19 anos, algo bastante raro.

 

Histórico pessoal de câncer de pele

 

Quem já apresentou um CBC possui risco aumentado de desenvolver outro carcinoma basocelular ou outro tipo de câncer de pele no futuro.

 

Imunossupressão

 

Pacientes transplantados e pessoas que utilizam determinados medicamentos imunossupressores apresentam maior risco de câncer de pele. O aumento é particularmente marcante para o carcinoma espinocelular, mas também ocorre para o carcinoma basocelular.

 

Radioterapia prévia

 

Áreas da pele previamente submetidas à radiação ionizante podem apresentar maior risco de tumores cutâneos ao longo dos anos.

 

Arsênio e algumas exposições ocupacionais

 

Determinadas exposições químicas também estão associadas ao aumento do risco de câncer de pele não melanoma.

 

Doenças prévias associadas

 

Existem síndromes genéticas raras associadas a risco muito elevado de carcinoma basocelular, especialmente a síndrome de Gorlin (síndrome do nevo basocelular) e o xeroderma pigmentoso.

Outras condições genéticas relacionadas à fotossensibilidade ou menor proteção contra a radiação ultravioleta podem aumentar o risco de diferentes tipos de câncer de pele.

 

4) Quais são os sinais e sintomas do carcinoma basocelular?

 

O carcinoma basocelular pode apresentar aparências muito diferentes.

Não existe uma única lesão característica.


Infográfico mostrando diferentes formas de apresentação do carcinoma basocelular, como nódulo perolado, ferida persistente, placa avermelhada, lesão pigmentada e área semelhante a cicatriz.
Figura 4. Principais formas clínicas de apresentação do carcinoma basocelular (CBC), incluindo nódulo perolado, ferida que não cicatriza, placa avermelhada, lesão pigmentada e formas semelhantes a cicatriz.

 

Pequeno nódulo brilhante ou com borda perolada é uma das apresentações mais clássicas.

 

Pode também parecer uma pequena elevação:

 

rosada; avermelhada; translúcida; brilhante; da cor da pele.

 

Frequentemente observam-se pequenos vasos sanguíneos na superfície, chamados telangiectasias ou uma  ferida que não cicatriza

 

Alguns CBCs ulceram, ou seja, apresentam feridas.

 

O paciente deve sempre observar com atenção redobrada uma pequena ferida que:

 

melhora parcialmente; forma uma crosta; parece cicatrizar; volta a abrir; eventualmente sangra.


uma ferida que persiste por algumas semanas, volta repetidamente a abrir, cresce, forma crostas ou sangra é importante sinal de alerta


lesão que sangra facilmente com pequenos traumas. Às vezes, o paciente percebe sangue durante o banho, ao enxugar o rosto ou ao se barbear.

 

mancha ou placa avermelhada

 

O carcinoma basocelular superficial pode aparecer como uma placa:

 

avermelhada; discretamente descamativa; relativamente plana; de crescimento lento.

 

Pode ser confundido com eczema, dermatite, micose ou psoríase.

 

Lesão pigmentada ou escura

 

Carcinoma basocelular pigmentado simulando nevo melanocítico ou melanoma
Carcinoma basocelular pigmentado simulando nevo melanocítico ou melanoma

Alguns CBCs menos comuns apresentam pigmentação marrom, azulada ou negra.

São chamados clinicamente de CBCs pigmentados e podem, em determinadas situações, lembrar um nevo ou mesmo um melanoma.


Área endurecida semelhante a cicatriz

 

O CBC esclerodermiforme pode se apresentar como:

 

placa endurecida; esbranquiçada; amarelada; pouco delimitada; semelhante a uma cicatriz.

 

Esse subtipo merece atenção especial porque as extensões microscópicas do tumor podem ultrapassar aquilo que é visível a olho nu.

 

Principais subtipos do carcinoma basocelular

 

Do ponto de vista clínico e anatomopatológico, existem diferentes subtipos.

 

Entre os mais importantes estão:

 

CBC nodular

 

É uma das apresentações mais comuns. Geralmente forma nódulo com borda perolada ou brilhante, podendo apresentar telangiectasias e ulceração.

 

CBC superficial

 

Surge frequentemente como placa avermelhada e descamativa. É muito encontrado no tronco e costuma apresentar comportamento menos infiltrativo.

 

CBC infiltrativo

 

Apresenta crescimento microscópico mais irregular e maior risco de extensão além dos limites aparentes da lesão.

 

CBC esclerodermiforme

 

Pode ter aparência semelhante a uma cicatriz. Seus limites clínicos são frequentemente pouco definidos.

 

CBC micronodular

 

Possui padrão histológico associado a maior risco de extensão subclínica e recorrência.

 

Carcinoma basoescamoso

 

Apresenta características de diferenciação basal e escamosa e é considerado uma variante com comportamento potencialmente mais agressivo que o CBC convencional.

 

A classificação histológica é uma das informações que ajudam a determinar qual abordagem terapêutica será mais adequada.

 

5) Como é feito o diagnóstico do carcinoma basocelular?

 

O diagnóstico começa pela avaliação dermatológica. 

 

Infográfico mostrando como é feito o diagnóstico do carcinoma basocelular, com avaliação dermatológica, dermatoscopia, biópsia, exame anatomopatológico e planejamento do tratamento.
Figura 5. Etapas do diagnóstico do carcinoma basocelular (CBC), desde a avaliação clínica dermatológica até a biópsia, exame anatomopatológico, avaliação do risco e definição individualizada do tratamento.

Avaliação clínica

 

O médico analisa:

 

localização; tamanho; formato; coloração; bordas; presença de ulceração; ou de vasos sanguíneos superficiais; consistência; tempo de evolução; velocidade de crescimento; sangramento; tratamentos prévios.

 

A dermatoscopia pode ajudar a visualizar estruturas que não são facilmente observadas a olho nu.

Entretanto, dermatoscopia e anatomopatológico possuem funções diferentes.

 

A dermatoscopia serve para auxiliar o diagnóstico clínico. Mas, somente o exame anatomopatológico, feito após a biópsia da pele comprometida, identifica microscopicamente o tumor e, quando realizado, pode fornecer informações fundamentais para o planejamento terapêutico.

 

Biópsia

 

Quando é necessária confirmação histológica antes do tratamento, diferentes técnicas podem ser utilizadas:

 

punch; shaving; biópsia incisional; biópsia excisional.

 

A escolha depende do tamanho, profundidade, localização e hipótese diagnóstica.

 

Em lesões pequenas, pode ser possível realizar desde o início uma biópsia excisional, retirando toda a lesão e permitindo que diagnóstico e tratamento ocorram no mesmo procedimento.

 

O que o anatomopatológico pode informar?

 

Entre outros aspectos:

 

confirmação do diagnóstico; subtipo histológico; padrão de crescimento; profundidade; presença de características infiltrativas; invasão perineural, quando presente; margens cirúrgicas, se a lesão tiver sido removida.

 

Essas informações podem modificar significativamente o planejamento terapêutico.

 

É necessário fazer tomografia ou PET-CT?

 

Na enorme maioria dos CBCs, não.

 

Como o tumor geralmente permanece localizado, exames de imagem não fazem parte da investigação rotineira.

 

Podem ser necessários em tumores excepcionalmente extensos ou quando existe suspeita de invasão de estruturas profundas, nervos, ossos ou outras regiões.

 

6) Quais são os tratamentos para carcinoma basocelular?

 

Existem várias opções terapêuticas.

Infográfico com as principais opções de tratamento do carcinoma basocelular, incluindo cirurgia, criocirurgia, curetagem, cirurgia de Mohs, terapia tópica, fotodinâmica e medicamentos sistêmicos.
Figura 6. Principais opções de tratamento do carcinoma basocelular (CBC), incluindo cirurgia convencional, criocirurgia, curetagem e eletrocoagulação, cirurgia de Mohs, tratamentos tópicos, terapia fotodinâmica e terapias sistêmicas para casos selecionados.

Porém, é importante fazer uma distinção: as modalidades não são simplesmente equivalentes.

 

A cirurgia permanece o tratamento de primeira linha para a maioria dos CBCs operáveis, enquanto tratamentos não cirúrgicos são particularmente úteis em tumores selecionados de menor risco ou quando cirurgia não é adequada.

 

 

Cirurgia convencional

 

É uma das modalidades mais utilizadas. O tumor é removido juntamente com uma margem de segurança de pele aparentemente normal. A peça é encaminhada para exame anatomopatológico.

 

Entre suas vantagens estão:

 

elevada taxa de cura;

possibilidade de avaliação histológica;

tratamento geralmente realizado sob anestesia local;

procedimento ambulatorial na maioria dos casos.

 

A reconstrução pode ser feita com:

 

fechamento direto com fio de sutura;

cicatrização por segunda intenção, quando a ferida é deixada aberta até cicatrizar;

reparo com retalho ou enxerto.

 

A escolha depende do tamanho e da localização da ferida cirúrgica.

 

Criocirurgia


A criocirurgia utiliza nitrogênio líquido, a −196 °C, para produzir congelamento controlado do tumor. No tratamento de tumores malignos, procura-se atingir temperaturas citotóxicas adequadas no tecido, frequentemente na faixa de −50 a −60 °C, conforme a técnica empregada.


A criocirurgia oncológica não deve ser confundida com a aplicação superficial de nitrogênio líquido utilizada para tratar algumas lesões benignas.


No tratamento do câncer de pele, pode envolver remoção prévia da massa tumoral seguida de congelamento controlado da base e das margens, e seus resultados dependem fortemente de seleção do caso, técnica, parâmetros de congelamento e experiência do operador. Daí a obtenção de excelentes resultados por quem domina corretamente a técnica.


 Suas vantagens podem incluir:

 

tratamento ambulatorial;

anestesia local;

ausência de suturas ;

possibilidade de tratar pacientes idosos;


Pode ser particularmente útil em pacientes nos quais se deseja evitar suturas, reconstruções mais extensas ou procedimentos de maior porte, inclusive idosos e pessoas com condições clínicas que tornem outra abordagem menos conveniente.


Além disto, é ótima opção para lesões no nariz e orelhas, onde as reconstruções podem ser mais difíceis.

 

A técnica exige adequada seleção do tumor e experiência do dermatologista em criocirurgia e não é apropriada para CBCs com margens mal definidas.

 

Cirurgia micrográfica de Mohs

 

A cirurgia de Mohs permite examinar microscopicamente as margens do tumor durante o procedimento. É particularmente importante em situações como:

 

tumores recorrentes;

CBCs infiltrativos ou esclerodermiformes;

com margens clínicas pouco definidas;

áreas anatômicas críticas;

determinados tumores muito grandes ou extensos;

 

Diretrizes atuais recomendam cirurgia com controle micrográfico principalmente para CBCs de alto risco, recorrentes ou situados em áreas anatômicas críticas.

 

Mohs apresenta excelentes taxas de cura quando corretamente indicada. Entretanto, nem todo CBC exige cirurgia micrográfica. Além de ser um procedimento com custo maior que a cirurgia convencional e geralmente muito maior do que a criocirurgia.

 

Curetagem seguida de eletrocoagulação

 

É utilizada principalmente em determinados tumores:

 

pequenos;

primários;

superficiais ou nodulares;

de baixo risco;

localizados em regiões adequadas e em casos muito específicos

 

A lesão é removida por curetagem e a base tratada por eletrocoagulação. É uma técnica rápida, ambulatorial e indicada principalmente para determinados tumores de baixo risco adequadamente selecionados.

 

Medicamentos tópicos

Imiquimode

 

Pode ser utilizado principalmente em determinados CBCs muito superficiais e de baixo risco.

 

Estimula uma resposta imunológica local contra o tumor.

 

5-fluoruracil

 

Também pode ser utilizado em CBC superficial cuidadosamente selecionado e de baixo risco.

 

A AAD ressalta que tratamentos não cirúrgicos apresentam, em geral, taxas de cura inferiores às abordagens cirúrgicas e devem ser reservados principalmente para CBCs de baixo risco ou situações nas quais cirurgia não é possível.

 

Terapia fotodinâmica

 

A terapia fotodinâmica associa uma substância fotossensibilizante a uma fonte de luz específica.

Pode ser utilizada principalmente em CBC superficial e em determinados CBCs nodulares de baixo risco. Apresenta como vantagem potencial excelente resultado cosmético.

Por outro lado, a probabilidade de recorrência costuma ser superior à de determinados tratamentos cirúrgicos, devendo a indicação ser individualizada.

 

Radioterapia

 

A radioterapia pode ser uma alternativa eficaz para pacientes que:

 

não podem ser submetidos à cirurgia;

apresentam tumores em determinadas localizações;

possuem condições clínicas especiais;

recusam tratamento cirúrgico;

apresentam determinados tumores localmente avançados;

 

A idade do paciente, localização do tumor, efeitos tardios da radiação e possibilidades de tratamento futuro precisam ser considerados.

 

Tratamento do carcinoma basocelular localmente avançado

 

Uma pequena parcela dos pacientes desenvolve CBC tão extenso que métodos cirúrgicos ou radioterapia deixam de ser adequadas.

 

Nesses casos, existem medicamentos que atuam sobre mecanismos moleculares responsáveis pelo crescimento do tumor.

 

Inibidores da via Hedgehog

 

Entre eles:

 

vismodegib;

sonidegib.

 

São utilizados em situações selecionadas de doença localmente avançada e, dependendo do medicamento e das aprovações regulatórias, doença metastática.

 

Imunoterapia

 

O cemiplimabe, um inibidor de PD-1, pode ser utilizado em determinados pacientes com CBC avançado quando um inibidor da via Hedgehog falhou, não foi tolerado ou não é apropriado.

 

Esses tratamentos são muito específicos e normalmente conduzidos em conjunto com a oncologia clínica e equipes especializadas.

 

Existe um tratamento melhor?

 

Não existe um tratamento que seja o melhor para todos os carcinomas basocelulares.

Mas também não significa que todas as técnicas sejam equivalentes.



Na maioria dos CBCs tratáveis localmente, diferentes modalidades cirúrgicas podem ser utilizadas, entre elas a cirurgia convencional, a criocirurgia e a cirurgia micrográfica de Mohs. Cada técnica possui princípios, indicações, vantagens e limitações próprias, e os resultados dependem da correta seleção do tumor e da experiência do profissional. Na criocirurgia, diferentes protocolos podem incluir remoção ou redução prévia da massa tumoral, seguida do congelamento controlado da base e das margens com nitrogênio líquido.


Em outros casos, curetagem, medicamentos tópicos, terapia fotodinâmica ou radioterapia podem representar escolhas adequadas.

 

A melhor decisão depende da combinação entre:

 

tumor + paciente + evidências científicas + experiência profissional + objetivos terapêuticos.

 

7) Qual é o prognóstico do carcinoma basocelular?

O carcinoma basocelular tem cura?


Infográfico sobre os fatores que influenciam as chances de cura do carcinoma basocelular, como tamanho, localização, profundidade, subtipo, recorrência e diagnóstico precoce.
Figura 7. Fatores que influenciam as chances de cura do carcinoma basocelular (CBC), incluindo tamanho, localização, subtipo e profundidade do tumor, recorrência, diagnóstico precoce e escolha individualizada do tratamento.

 Na grande maioria dos casos, sim.

 

Quando identificado precocemente e adequadamente tratado, o CBC apresenta excelentes chances de cura.

 

O NCI descreve taxas de ausência de recorrência geralmente elevadas para as diferentes abordagens quando os pacientes são corretamente selecionados.

 

O CBC pode causar metástase?

 

Pode, mas isso é extraordinariamente raro.

 

Estudos históricos estimam frequência de metástase entre aproximadamente 0,0028% e 0,55%, concentrada principalmente em tumores muito grandes, recorrentes, infiltrativos ou negligenciados.

 

Portanto, o principal problema do CBC geralmente não é a disseminação para outros órgãos.

 

O principal risco é destruição local progressiva.

 

O que aumenta o risco de recorrência?

 

Entre os fatores relevantes estão:

 

grande tamanho;

localização em áreas anatômicas de alto risco;

bordas pouco definidas;

tumor recorrente;

subtipo infiltrativo;

subtipo esclerodermiforme;

padrão micronodular;

invasão perineural;

imunossupressão;

tratamento prévio incompleto.

 

O CBC pode voltar?

 

Sim. Recorrências podem ocorrer mesmo depois de um tratamento inicialmente bem-sucedido.

 

Além disso, o paciente que já teve um CBC possui risco aumentado de desenvolver outro CBC independente no futuro.

 

Por esse motivo, seguimento dermatológico continua sendo importante.

 

8) Como prevenir o carcinoma basocelular?


Infográfico sobre como reduzir o risco de carcinoma basocelular com fotoproteção, roupas, chapéu, óculos, protetor solar, evitar bronzeamento artificial e acompanhamento dermatológico.
Figura 8. Medidas que ajudam a reduzir o risco de carcinoma basocelular (CBC), incluindo evitar exposição solar excessiva, usar roupas e acessórios de proteção, aplicar protetor solar, evitar bronzeamento artificial, observar a pele e manter acompanhamento dermatológico.

 

Nenhuma estratégia consegue impedir todos os casos.

 

Entretanto, reduzir a exposição excessiva à radiação ultravioleta diminui o dano acumulado à pele.

 

Evite exposição solar excessiva

 

Não é necessário transformar fotoproteção em uma regra rígida baseada exclusivamente em determinados horários.

 

O objetivo é reduzir exposições prolongadas e intensas, especialmente quando o índice ultravioleta está elevado.

 

Utilize barreiras físicas

 

Sempre que possível:

 

roupas;

chapéus de abas largas;

óculos com proteção UV;

sombra.

 

As barreiras físicas constituem uma forma muito eficiente de fotoproteção.

 

Use protetor solar adequadamente

 

O protetor solar deve ser considerado parte da estratégia, e não a única medida.

 

É especialmente útil nas áreas que permanecem expostas.

 

Deve ser aplicado em quantidade adequada e reaplicado conforme:

 

tempo de exposição;

banho;

transpiração;

prática esportiva.

Evite bronzeamento artificial

 

Não existe bronzeamento artificial sem exposição à radiação ultravioleta.

 

Observe regularmente a própria pele

 

Procure alterações como:

 

lesão nova persistente;

ferida que não cicatriza;

nódulo brilhante;

crosta recorrente;

área que sangra;

mancha que cresce;

placa semelhante a uma cicatriz.

Faça acompanhamento depois de um câncer de pele

 

A American Academy of Dermatology (AAD) recomenda que pacientes diagnosticados com CBC sejam examinados periodicamente para identificar recorrências e novos cânceres de pele.

 

9) Mitos e verdades sobre o carcinoma basocelular

Mito 1: “Carcinoma basocelular não é câncer.”

 

❌ Mito.

 

É um tumor maligno da pele, apesar de na grande maioria das vezes, pouco agressivo.

 

Seu comportamento é geralmente pouco metastático, mas ele pode invadir e destruir tecidos localmente.

 

Mito 2: “Como cresce devagar, não preciso tratar.”

 

❌ Mito.

 

O crescimento lento pode permitir que o tumor seja diagnosticado em fases iniciais.

Porém, se permanecer anos sem tratamento, pode atingir estruturas profundas e tornar o procedimento muito mais complexo.

 

Mito 3: “Todo CBC precisa de cirurgia de Mohs.”

 

❌ Mito.

 

Mohs é excelente quando corretamente indicada, principalmente para determinados tumores de alto risco, recorrentes e localizados em áreas críticas.

 

A maioria dos CBCs não exige obrigatoriamente essa técnica.

 

Mito 4: “Se não dói, provavelmente não é câncer.”

 

❌ Mito.

 

A maioria dos CBCs iniciais é assintomática.

 

Mito 5: “Toda ferida no rosto é carcinoma basocelular.”

 

❌ Mito.

 

Muitas doenças benignas podem produzir lesões semelhantes.

 

O diagnóstico depende de avaliação médica.

 

Mito 6: “A biópsia espalha o carcinoma.”

 

❌ Mito.

 

Não.

 

A biópsia é um método seguro para estabelecer o diagnóstico histopatológico.

 

Mito 7: “O CBC nunca produz metástase.”

 

❌ Mito.

 

Metástases são possíveis, mas extraordinariamente raras.

 

Mito 8: “O protetor solar sozinho impede o CBC.”

 

❌ Mito.

 

Fotoproteção envolve conjunto de medidas: exposição inteligente, roupas, sombra, chapéus e protetor solar.

 

Mito 9: “Quem tratou um CBC está livre do problema para sempre.”

 

❌ Mito.

 

O tumor tratado pode nunca voltar, mas o paciente continua apresentando maior risco de desenvolver novos cânceres de pele.

 

Mito 10: “Quanto mais cedo tratar, normalmente mais simples será o tratamento.”

 

✔ Verdade.

 

Tumores pequenos e bem delimitados geralmente permitem procedimentos menos extensos e melhores resultados funcionais e estéticos.

 

10) Perguntas frequentes sobre carcinoma basocelular — FAQ

1. O que é carcinoma basocelular?

 

É o tipo mais frequente de câncer de pele. Desenvolve-se a partir de células de linhagem basal da pele e geralmente apresenta crescimento lento e localizado.

 

2. O carcinoma basocelular tem cura?

 

Sim. Na grande maioria dos casos, apresenta excelentes chances de cura quando adequadamente tratado.

 

3. O CBC é perigoso?

 

Geralmente apresenta baixa capacidade de produzir metástases. Porém, quando negligenciado, pode crescer profundamente e destruir estruturas vizinhas.

 

4. O carcinoma basocelular causa metástases?

 

Raramente. Metástases são extremamente incomuns.

 

5. O CBC dói?

 

Geralmente não.

 

Dor pode aparecer em tumores maiores, ulcerados ou que envolvam estruturas profundas ou nervos.

 

6. O CBC sangra?

 

Pode sangrar, mas, muitas vezes não sangra. Algumas lesões sangram espontaneamente ou após pequenos traumatismos.

 

7. Pode parecer uma espinha?

 

Sim.

 

Um pequeno nódulo brilhante persistente pode inicialmente ser confundido com uma espinha.

 

8. Pode parecer uma ferida?

 

Sim.

 

Uma lesão que cicatriza parcialmente, forma crosta e depois volta a abrir é uma apresentação típica.

 

9. Pode parecer uma cicatriz?

 

Sim.

 

O subtipo esclerodermiforme pode formar uma placa esbranquiçada ou endurecida semelhante a uma cicatriz.

 

10. Pode ser escuro?

 

Sim.

 

O CBC pigmentado pode apresentar coloração marrom, azulada ou negra e até simular uma pinta ou melanoma.

 

11. Onde aparece com maior frequência?

 

Principalmente em regiões expostas ao Sol, como face, nariz, testa, pálpebras, orelhas, couro cabeludo, pescoço e tronco.

 

12. Pessoas de pele negra podem ter CBC?

 

Sim. O risco é muito menor do que em pessoas de pele clara, mas a doença também ocorre em peles mais escuras.

 

13. O CBC é contagioso?

 

Não.

 

14. O estresse causa carcinoma basocelular?

 

Não há evidências de que o estresse isoladamente seja causa direta de CBC.

 

15. O diagnóstico é feito apenas olhando a lesão?

 

A avaliação clínica pode produzir forte suspeita diagnóstica, mas a biópsia e o exame anatomopatológico são utilizados para confirmação e definição histológica quando indicado.

 

16. A dermatoscopia substitui a biópsia?

 

Não. São métodos com funções diferentes.

 

17. A biópsia pode espalhar o câncer?

 

Não.

 

18. Uma lesão pequena pode ser retirada inteira para diagnóstico?

 

Sim. Em situações adequadas, uma biópsia excisional pode funcionar simultaneamente como diagnóstico e tratamento.

 

19. Preciso fazer tomografia ou PET-CT?

 

Na enorme maioria dos CBCs, não. Exames de imagem são reservados principalmente para situações avançadas ou excepcionais.

 

20. Todo CBC precisa de cirurgia?

 

Não. Embora cirurgia seja o principal tratamento para grande parte dos casos, existem alternativas eficazes em situações selecionadas.

 

21. A criocirurgia funciona para carcinoma basocelular?

 

Sim. Pode apresentar excelentes resultados e altas taxas de cura, quando o tumor é adequadamente selecionado e a técnica é realizada por profissional experiente.

 

22. Quando a cirurgia de Mohs é indicada?

 

Principalmente em determinados tumores de maior risco, recorrentes, mal delimitados, infiltrativos ou situados em regiões anatômicas críticas.

 

23. Pomadas podem tratar CBC?

 

Alguns CBCs superficiais de baixo risco podem ser tratados com medicamentos tópicos, como imiquimode ou 5-fluoruracil.

 

Não devem ser usados indiscriminadamente em qualquer CBC.

 

24. Terapia fotodinâmica pode tratar CBC?

 

Sim, principalmente determinados CBCs superficiais e de baixo risco.

 

25. Radioterapia pode curar carcinoma basocelular?

 

Sim, em situações adequadamente selecionadas. Pode ser particularmente útil quando cirurgia não é possível ou não é a melhor alternativa.

 

26. CBC pode voltar depois de retirado?

 

Pode. O risco depende do tipo de tumor, localização, tratamento realizado e outras características.

 

27. Se tive um CBC, posso desenvolver outro?

 

Sim. O risco de novos tumores permanece aumentado.

 

28. Quanto tempo devo fazer acompanhamento?

 

A frequência depende do perfil de risco. Pacientes de maior risco, com múltiplos tumores ou subtipos agressivos podem precisar de acompanhamento mais próximo e prolongado.

 

29. Carcinoma basocelular pode virar melanoma?

 

Não. São tumores totalmente diferentes, originados por mecanismos biológicos bem distintos.

 

30. Qual é a principal mensagem para quem recebeu um diagnóstico de CBC?

 

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente e, na grande maioria das vezes, é curável. O diagnóstico precoce geralmente permite tratamentos mais simples e preserva melhor a função e a estética. A escolha da técnica deve ser individualizada de acordo com as características do tumor, as condições do paciente e as evidências científicas disponíveis.

 

Mensagem final

 

O carcinoma basocelular costuma apresentar excelente prognóstico, mas não deve ser banalizado. Sua capacidade de produzir metástases é extremamente baixa, porém tumores negligenciados podem crescer profundamente e destruir estruturas importantes. O melhor resultado costuma ser alcançado quando três princípios são respeitados:

 

diagnóstico correto + escolha individualizada do tratamento + acompanhamento adequado.


Referências e fontes científicas:


As informações apresentadas neste guia foram elaboradas a partir da literatura médica, diretrizes clínicas e documentos de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao diagnóstico e tratamento do câncer de pele.

É importante lembrar que diretrizes representam uma síntese das evidências disponíveis e auxiliam a tomada de decisão, mas não substituem a avaliação individual de cada paciente.

No carcinoma basocelular, fatores como localização, tamanho, subtipo histológico, limites clínicos, recorrência, condições gerais do paciente e experiência do profissional com cada modalidade terapêutica podem influenciar a escolha do tratamento.


No caso específico da criocirurgia, os resultados publicados apresentam variação considerável entre estudos.

Essa diferença deve ser interpretada levando-se em conta a seleção dos tumores, o protocolo empregado, a profundidade e duração do congelamento, número de ciclos de congelamento e descongelamento, eventual remoção prévia da massa tumoral e experiência do operador.

Existem grandes séries realizadas por profissionais com ampla experiência na técnica apresentando taxas de cura muito elevadas, enquanto outros protocolos produziram resultados inferiores.


Principais fontes institucionais e diretrizes:


1. Instituto Nacional de Câncer — INCA. Câncer de pele não melanoma.O INCA informa que o câncer de pele não melanoma é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a aproximadamente 30% dos tumores malignos registrados no país. O carcinoma basocelular é descrito como o tipo mais frequente entre os cânceres de pele não melanoma. INCA — Câncer de pele não melanoma



2. American Academy of Dermatology — AAD. Guidelines of care for the management of basal cell carcinoma.Kim JYS, Kozlow JH, Mittal B, Moyer J, Olencki T, Rodgers P, et al. Journal of the American Academy of Dermatology. 2018;78(3):540–559. DOI: 10.1016/j.jaad.2017.10.006.Diretriz baseada em evidências que aborda diagnóstico, técnicas de biópsia, avaliação de risco de recorrência, modalidades terapêuticas e acompanhamento de pacientes com carcinoma basocelular. Diretriz da AAD para carcinoma basocelular


3. Peris K, Fargnoli MC, Kaufmann R, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for diagnosis and treatment of basal cell carcinoma — update 2023.European Journal of Cancer. 2023;192:113254. DOI: 10.1016/j.ejca.2023.113254.Consenso europeu elaborado com participação da European Association of Dermato-Oncology (EADO), European Dermatology Forum, ESTRO, UEMS e EADV. Aborda classificação de risco, diagnóstico, cirurgia, tratamentos locais, radioterapia e terapias sistêmicas para CBC avançado. Consenso europeu EADO 2023


4. National Cancer Institute — NCI. Skin Cancer Treatment (PDQ®) — Health Professional Version.O PDQ do National Cancer Institute apresenta as diferentes modalidades utilizadas no tratamento do carcinoma basocelular, incluindo excisão, cirurgia de Mohs, curetagem e eletrodissecção, criocirurgia, radioterapia, terapia fotodinâmica, tratamentos tópicos e terapias sistêmicas para doença avançada. Ressalta que diferentes abordagens têm indicações clínicas específicas. NCI — Skin Cancer Treatment PDQ

O próprio National Cancer Institute utiliza especificamente a denominação cryosurgery — criocirurgia para o tratamento de tumores com frio extremo e inclui os carcinomas basocelular e espinocelular entre suas indicações.


Estudos sobre criocirurgia no câncer de pele:


5. Kuflik EG. Cryosurgery for Skin Cancer: 30-Year Experience and Cure Rates.Dermatologic Surgery. 2004;30:297–300. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2004.30090.x.


Este é um dos trabalhos mais importantes sobre resultados de longo prazo da criocirurgia no câncer de pele. Foram avaliados 4.406 carcinomas basocelulares e espinocelulares, primários e recorrentes, tratados pelo mesmo médico durante 30 anos.

A técnica utilizou predominantemente spray aberto, dois ciclos de congelamento e descongelamento e, em parte da experiência, controle da temperatura tecidual, procurando atingir aproximadamente −50 °C a −60 °C.

A taxa global de cura relatada ao longo dos 30 anos foi de 98,6%. Em uma série mais recente de 522 tumores acompanhados durante cinco anos, a taxa de cura foi de 99%. Os dados mostram que, em casos adequadamente selecionados e com técnica rigorosa, a criocirurgia pode alcançar taxas de cura muito elevadas. Kuflik — artigo no PubMed


6. Backman E, Polesie S, Berglund S, et al. Curettage vs. cryosurgery for superficial basal cell carcinoma: a prospective, randomised and controlled trial.Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2022;36(10):1758–1765. DOI: 10.1111/jdv.18209.

Ensaio clínico randomizado envolvendo 228 carcinomas basocelulares superficiais, comparando curetagem e criocirurgia. Após um ano, a taxa de clareamento clínico observada foi de 100% no grupo tratado com criocirurgia e 95,7% no grupo submetido à curetagem. O acompanhamento ainda era curto para conclusões definitivas sobre recorrência em longo prazo, mas o estudo demonstra a elevada eficácia que a técnica pode apresentar em tumores adequadamente selecionados. Backman et al. — artigo no PubMed


7. Mallon E e colaboradores. Cryosurgery of basal cell carcinoma: estudo de 395 carcinomas basocelulares.Série de 395 CBCs em 358 pacientes, predominantemente localizados na face, com avaliação de resultados em cinco anos. A taxa atuarial de falha em cinco anos foi de aproximadamente 9%, mostrando também que os resultados da criocirurgia encontrados na literatura não são uniformes e dependem de seleção de casos e metodologia utilizada. Estudo de 395 carcinomas basocelulares tratados por criocirurgia


Como interpretar essas referências?


Nenhuma dessas fontes, isoladamente, determina qual tratamento deve ser realizado em determinado paciente.

A literatura mostra que diferentes técnicas podem alcançar excelentes resultados quando corretamente indicadas e executadas.

Também é importante não analisar apenas o nome do procedimento.

Na criocirurgia, por exemplo, existem diferenças substanciais entre protocolos, seleção de tumores e experiência do operador.

A grande série de Kuflik alcançou 98,6% de cura global em 30 anos, enquanto outros estudos, utilizando outros critérios e protocolos, apresentaram taxas de recorrência maiores.

Essa variabilidade é uma das razões pelas quais comparações entre tratamentos devem considerar não apenas a modalidade utilizada, mas também como ela foi realizada, em quais tumores, por quais profissionais e com qual tempo de acompanhamento.

Por isso, a escolha do tratamento do carcinoma basocelular deve permanecer individualizada, procurando combinar evidência científica, características do tumor, condições do paciente e experiência efetiva do profissional com a técnica indicada.

 

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individualizada.

 

Dr. Olivério Carvalho é médico dermatologista em São Paulo, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação em câncer de pele, cirurgia dermatológica e criocirurgia. Sua prática é voltada ao diagnóstico preciso e à escolha individualizada do tratamento, incluindo biópsias de pele, atendimento de pacientes idosos, avaliação de casos complexos e segunda opinião médica. CRM-SP 59.971 — RQE 108.382

 

 

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